Tudo que é demais cansa, tudo que sobra não tem serventia. Digo isso porque agora todo mundo reclama que eu tenho frio próprio. Igual calor humano, só que ao contrário.
Reclamar que eu emano frio pelo coração é fácil, dificil era passar por tudo que eu passei e ainda ter uma chama acessa como uma fogueira dentro de si. Mas quem não é capaz de entender isso, não é capaz de entender nem metade da história real.
Dizem por aí que eu não me importo com o que falam ou pensam de mim, não me importo em amar alguém, em criar laços. Nunca gostei de laços ou de enfeites. Laços enfeitam, nós apertam. Ouvi dizer que sou uma pessoa maravilhosa, mas que não deixo ninguém saber disso, ouvi coisas como 'Você cria um muro em volta de você que não deixa ninguém te amar', 'essa sua máscara de menina durona é só fantasia', mas nunca ouvi ninguém me perguntar e querer saber de verdade, o real motivo de ser assim.
Não posso jamais dizer que fui trancada fora do paraíso, e isso fez de mim uma grande filha da puta que não precisa de ninguém e tem o orgulho maior que o mar. Não posso dizer que não tive amor ou que não sei ser carinhosa, ou que não tive exemplos, até porque meu pai fez um bom trabalho nesse sentido. E tudo isso eu sei.
Existe, porém uma grande diferença entre a teoria e a prática, entre o saber e o querer usar o que sabe. Na verdade, eu quis, eu usei, eu já pulei de cabeça em muita piscina vazia por ai, já coloquei intensidade onde não tinha nada e percebi com próprias experiências, tentativas e erros, que 0 vezes um milhão, ainda é zero.
Acebei gastando todo o calor e a fogueira cheia de labaredas que existia dentro de mim com gente gelada como o alasca, e como toda reação tende ao equilíbrio, o que era quente, esfriou. Acredite se quiser, eu costumava ser uma louca exagerada apaixonada, que via o amor como uma dose de tequila e tomava porres, mas agora estou de ressaca.
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