quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Deixa eu te amar...

   Eu sei que dói, que dilacera e machuca, sei exatamente o que você pode estar sentindo. Eu senti isso há uns dois anos a trás quando resolvi te tirar da minha vida e fingir que não me importava. Fingi bem até, por um mês ou dois, ou um ano, mas agora arde, como um machucado que eu insisto em tirar casquinha e não deixar cicatrizar nunca.
   Vai passar, eu sei que vai, mas não posso afirmar com certeza, a minha está começando a amenizar só agora. Então vem, deixa eu cuidar de você, deixa eu te ajudar a superar, deixa eu tampar o buraco que ela deixou como você tampou os meus há algum tempo.
   Deixa eu te fazer sentir a melhor pessoa do mundo, deixa eu te colocar no caminho certo de novo, deixa eu amar você melhor, de um jeito que eu não fui capaz de fazer antes. Deixa eu e você virarmos nós, como se fosse a primeira vez e como se a gente nunca tivesse errado antes.
   Vem pra eu ter mais motivos pra sorrir, pra ser feliz e pra matar aulas chatas. Vem pra dormir mais de conchinha, vem cuidar de mim trocando minha coca-cola por suco de morango. Vem por minha sobrancelha no lugar, que sempre fica bagunçada quando você não esta por perto. Vem pra eu ver a sua boca com batom natural que eu sempre gostava de fazer. Vem, volta, me agarra, me prende e não me solta mais. Vem sem vontade de ir, mas só vem se for pra ficar.
   Vem pra eu lembrar que achei você, te perdi e achei de novo. Vem ficar, preencher um espaço que ficou vazio depois que você foi, vem somar. Só vem e deixa eu te amar...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Frio e Calor

   Tudo que é demais cansa, tudo que sobra não tem serventia. Digo isso porque agora todo mundo reclama que eu tenho frio próprio. Igual calor humano, só que ao contrário.
   Reclamar que eu emano frio pelo coração é fácil, dificil era passar por tudo que eu passei e ainda ter uma chama acessa como uma fogueira dentro de si. Mas quem não é capaz de entender isso, não é capaz de entender nem metade da história real.
   Dizem por aí que eu não me importo com o que falam ou pensam de mim, não me importo em amar alguém, em criar laços. Nunca gostei de laços ou de enfeites. Laços enfeitam, nós apertam. Ouvi dizer que sou uma pessoa maravilhosa, mas que não deixo ninguém saber disso, ouvi coisas como 'Você cria um muro em volta de você que não deixa ninguém te amar', 'essa sua máscara de menina durona é só fantasia', mas nunca ouvi ninguém me perguntar e querer saber de verdade, o real motivo de ser assim.
   Não posso jamais dizer que fui trancada fora do paraíso, e isso fez de mim uma grande filha da puta que não precisa de ninguém e tem o orgulho maior que o mar. Não posso dizer que não tive amor ou que não sei ser carinhosa, ou que não tive exemplos, até porque meu pai fez um bom trabalho nesse sentido. E tudo isso eu sei.
   Existe, porém uma grande diferença entre a teoria e a prática, entre o saber e o querer usar o que sabe. Na verdade, eu quis, eu usei, eu já pulei de cabeça em muita piscina vazia por ai, já coloquei intensidade onde não tinha nada e percebi com próprias experiências, tentativas e erros, que 0 vezes um milhão, ainda é zero.
   Acebei gastando todo o calor e a fogueira cheia de labaredas que existia dentro de mim com gente gelada como o alasca, e como toda reação tende ao equilíbrio, o que era quente, esfriou. Acredite se quiser, eu costumava ser uma louca exagerada apaixonada, que via o amor como uma dose de tequila e tomava porres, mas agora estou de ressaca.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Não há vagas.

   Um dia você descobre que o grande problema da esperança não é construir metas em cima de pessoas e esperar que elas não te decepcionem. O problema não é que algumas pessoas decepcionam suas expectativas e outras as superam. O real problema é que você geralmente não está esperando ser surpreendida por certas pessoas, nem decepcionada sempre pelas mesmas pessoas.
   Então você percebe que suas expectativas foram grandes demais pro tamanho do caráter e da vontade de fazer valer a pena de certas pessoas e pequenas demais em relação as outras.
   Percebe também que não há vagas no seu coração, na sua vida ou no seu armário de recordações para quem não aproveita as oportunidades, e quem não faz a primeira chance valer a pena, não merece uma segunda ou se quer mereceu a primeira.
   E ai você desiste de tentar salvar o sujeito decepcionante dele mesmo, de todas as promessas que ele fez para você e para ele mesmo e quebrou, de todas as vezes que ele partiu seu coração sem dó nem piedade, de todas as mentiras, que ele contou a ele mesmo, a você e as pessoas ao seu redor. Desiste de fazê-lo entender todas as palavras que você falou, todas as vezes que você se humilhou e o tanto que ele falhou neste meio tempo.
   Percebe que desistir não é só para os fracos, mas também para os cansados. Cansar-se de alguém ou de algum sentimento talvez seja a melhor desculpa para desistir de lutar. E percebe que nem toda luta gera um campeão. Numa batalha dessas contra a esperança, a expectativa e o cansaço saem sempre dois perdedores.