De novo eu estava parada em frente a sua casa pensando no
que tinha dado errado daquela vez. Então eu imaginei que pudesse ser o fato de
nós não termos uma música ou de nós nunca pensarmos muito bem.
Porém, nós tinhamos uma música, nossa música era cada beijo
roubado na porta da escola, cada toque das nossas mãos, cada respiração que
falhava, cada lágrima que escorria na saudade, cada sorriso, cada pulsar de
nossos corações, definitivamente nós tínhamos uma música. E uma tão nossa que
não tocava no rádio e que nem os anjos sabiam reproduzir.
Como pode ter sido a falta de pensamento? Isso com certeza
também não foi, você estava em todos os meus e nos meus sonhos também, cada
célula do meu corpo tinha a certeza que nós pertencíamos um ao outro, e mesmo
separados você ainda é minha motivação para acordar cada manhã, minha
inspiração para escrever e ainda é graças a você que eu gosto das flores, das
nuvens e do céu estrelado.
Eu ainda estou aqui, parada em frente a sua casa procurando
um motivo, um bom motivo para não tocar a campanhia.
Meu cabelo está bagunçado, minhas unhas não estão feitas e
eu estou feia, alias, estou feia desde que a primavera acabou e as flores e
nosso amor murcharam. Estou feia, pois o meu melhor cartão de visitas é o meu
sorriso, e sem você, ele não brinca mais no meu rosto.
Eu vou tocar, vou te chamar, quero te ver. Mais que isso,
preciso te ver, te contar que enfim descobri nossa música e te dizer que nenhum
motivo é forte o suficiente. Preciso ouvir nossa música de novo, nem que seja
só mais uma vez, nem que seja uma última vez.
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